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Emaranhada
Juliana Linhares
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Lyrics
Original
Translation
Bilingual
No ninhar do emaranhado
Por dentro cordão por dentro
Do lado do outro lado
Passando dedo por dedo
Formando um novo quadrado
Losango feito de elástico
O risco de amar no mínimo
O risco de amar no máximo
O sol não acende vela
Singela flor na sacada
Só ela, somente ela
Grafita minha calçada
Janela da minha cela
Cartela já premiada
Metade de tudo é tudo
Metade de nada é nada
Me empreste seu arquipélago
Juro que te devolvo
Nem tudo que a onda leva
Merece voltar de novo
Tem sal que talvez adoce
E açúcar que às vezes salga
Palavra que é feito língua
Tem língua que é feito faca
Comida que não enjoa
Viagem que não tem mala
Tem grito que não ecoa
Silêncio que às vezes fala
No emaranhado da rede
Medida deveras drástica
Alguém que matasse a sede
Com um gole de soda cáustica
Lá no emaranhado
Antenas por sobre os prédios
Pessoas nos formigueiros
Doentes dos seus remédios
Há fios desencapados
Fagulhas nos seus palheiros
Os sonhos ficam guardados
Na fronha dos travesseiros
De si só se sai a nado
Nó cego dando em cabelo
De um jeito tão complicado
Quem saberá desfazê-lo
Quem é que encontraria
A ponta do seu novelo
A dor de um milhão de dores
Doendo no cotovelo
Se tudo que assanha é sonho
Nem tudo que ata desata
Se tudo que jorra é jorro
Nem toda conta é exata
Se todo X é tesouro
Nem todo abraço é gravata
Às vezes parece ouro
Mas na verdade é de prata
Comida que não enjoa
Viagem que não tem mala
Tem grito que não ecoa
Silêncio que às vezes fala
No emaranhado da rede
Medida deveras drástica
Alguém que matasse a sede
Com um gole de soda cáustica
Meu olho no seu ferrolho
Seu dente na jugular
Da vida só vale o molho
E a chuva pra se molhar
Espero de sobremesa
Na falta de boa asa
Que o vento e a correnteza
Me levem de volta pra casa