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Demônios da Insignificância
Fausto Fawcett
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Bilingual
Demônios da insignificância, anjos do detalhe caído
Dançam em restos e sobras, em pedaços de qualquer coisa
Objetos sussurram sonoridades
Que áudio vaza daquele bater de cinzas do cigarro da esquina?
As cinzas caem numa folha de árvore amarelada
Folha que recebe as cinzas roçando a folha num papel de bala
Que cai com a folha em cima, e as cinzas se foram
Que áudio vaza daquele chiado no pulmão na UTI?
Chiado que invade de dor e desespero o profissional de saúde
Que também ouve seu coração bater
Olhando o detalhe da medição luminosa
Objetos sussurram demônios da insignificância
Tecido que roça no sofá
Anjos do detalhe caído se mexendo na
Sobra de comida pesquisada pelo mendigo
Comida pesquisada pelo mendigo, pela mendiga
Que faz a unha com sobra de esmalte
O som do esmalte na unha, do dedo na sobra de comida
Do caco de vidro varrido, caco que sobrou de uma briga de garrafas
Garrafas sendo jogadas pra todo lado
Sobra de briga, sobra de briga, resto de digestão
Detalhe cosmético imundo
Tá vazando o áudio dos sussurros que saem dos objetos, das coisas
Dos humanos transformados em restos, em
Sobras, em coisas, em acasos orgânicos
O pesadelo ambicioso também mora nos detalhes
Aluga todos os espaços, mesmo os mais ínfimos