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A Cor Do Meu Axé
Música Aos Orixás
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É, tem um tempo que o mundo perde a cor, né?
Tudo fica cinza, o peito oco, um eco no vazio
Você anda, mas a alma não sai do lugar
É nesse silêncio, nesse exato silêncio que eles vêm
Eu lembro bem do gosto de fel, do nó na garganta
Daquela dor que te consome, te quebra, te espanta
Caminhando em cacos, com a bússola quebrada
Procurando uma luz no fim do nada
Cada porta um prego, cada passo um espinho
Eu me sentia o ser mais fraco e mais sozinho
O asfalto era um abismo, o futuro um labirinto
E eu no meu orgulho fingia que não sinto, mas eu sinto
Mas no fundo do poço, no fim do meu eu
Ouvi um sussurro que não era meu
Uma força subiu da raiz até à espinha
E eu senti que a minha luta agora era divina
E hoje o meu caminho tem a lança de Ogum
Meu choro vira cachoeira nas mãos de Oxum
A minha fé tem o machado de Xangô pra ser justo
E a paz de Oxalá me livra de todo susto
Eles me deram o chão, me ensinaram a levantar
Mostraram que o meu Ori era meu primeiro lugar
Esse trap é meu axé, minha prece, meu som
Por cada Orixá que fez meu mundo ficar bom
Hoje eu piso mais firme, eu sei quem me ampara
A flecha de Oxóssi é a mira que aclara
Vi Iansã levar com o vento a minha agonia
Senti a terra de Obaluaê cicatrizar a ferida
Aprendi com Nanã a sabedoria do tempo
E o arco-íris de Oxumaré renova meu alento
Não é religião, é sentir o invisível
É ter uma força ancestral como combustível
Então eu me entreguei, parei de lutar sozinho
Deixei o meu santo endireitar o meu caminho
E o peso do mundo saiu do meu ombro
E o medo virou só poeira, virou só escombro
Senti no meu corpo o abraço que eu nunca recebi
A força de mil gerações morando dentro de mim
Foi quando eu entendi, no meio do meu pranto
Que eu não carrego um fardo
Eu sou protegido por um manto
E hoje o meu caminho tem a lança de Ogum
Meu choro vira cachoeira na mão de Oxum
A minha fé tem o machado de Xangô pra ser justo
E a paz de Oxalá me livra de todo susto
Eles me deram o chão, me ensinaram a levantar
Mostraram que o meu Ori era meu primeiro lugar
Esse trap é meu axé, minha prece, meu som
Por cada Orixá que fez meu mundo, meu mundo ficar bom
Gratidão
Por me mostrarem a cor
Do meu próprio axé
Obrigado