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+ Perto Do Céu

Pedro Abrunhosa e Bandemónio
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Lyrics

Enquanto eu te escrevo, Sarajevo morre lenta uma morte amordaçada no silêncio dos tiros e na paz da granada. A noite acoita o metralhar será homem ou fera este triste uivar? Posso ver as avenidas, coloridas, presentes, hoje sombras despidas do passado distante. A vez do vizinho que hoje foi a enterrar, sozinho, claro, que morrer é ficar. Os amantes ali estão abraçados no asfalto onde as balas lá do alto os apanharam à traição, no coração, que é o sitio ideal para quem mata a paixão, que amar é fatal. + perto do céu anjo d'alma azul + perto do céu + longe que o sul. + perto do céu anjo d'alma azul + perto do céu Calor, já não há, só se for o da mortalha que é o lençol que me agasalha e a cama onde me deito e me enrolo sobre o peito, recordando o céu azul, e quer a norte quer a sul a liberdade de fugir. Ficar a resistir, morrer, nem pensar, que a coragem de aqui estar, como ontem em Guernica, é a vontade de quem fica. Vazia a dispensa é pior a indiferença. Auschwitz ou Buchenwald que afinal foram debalde, porque as câmaras de gás não ficaram para trás estão aqui à minha frente. Eu só quero estar presente de novo em Nuremberga, porque um povo não se verga. + perto do céu anjo d'alma azul + perto do céu + longe que o sul + perto do céu anjo d'alma azul + perto do céu Por isso aqui estou com arma sem munição, carne para canhão para contar toda a verdade... ... e liberdade. E no futuro, nem sequer se vão lembrar que tudo dói, mesmo Tolstoi lido à luz da curta vela. Sarajevo donzela tantas vezes violada, sempre só, abandonada. Tudo o que tenho é o empenho de quem sonha. O silêncio é vergonha, arma mortal, punhal que mata e maltrata escondido, sem ruido, tantas vezes repetido, e penetra no meu corpo, que deixa morto pelas costas... sem resposta. Agora é de vez. Faz frio no inferno deste Inverno. Cada bomba é uma sombra de indiferença. Crença que tem que mudar. Há que gritar e mostrar ao mundo os mortos que o mundo ignora e demora a perceber. Uso a caneta que é a minha baioneta, pais eterno que deixo no caderno tenho medo que me esqueças e me peças para calar a voz, mas não o faças, porque ontem foram ao outros e hoje nós. + perto do céu anjo d'alma azul + perto do céu + longe que o sul. + perto do céu anjo d'alma azul + perto do céu + longe que o sul. + perto do céu anjo d'alma azul + perto do céu