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Poeira Da Estrada/Dia De Visita/Fazenda São Francisco (maior Proeza)
Daniel, Zé Camillo
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🇵🇹 Portuguese · Original
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Lyrics
Original
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Bilingual
Levantei a tampa, voltei ao passado
Meu mundo guardado dentro de um baú
Encontrei no fundo todo empoeirado
O meu velho laço bom de couro crú
Me vi no arreio do meu alazão
Berrante na mão no meio da boiada
Abraçei meu laço velho companheiro
Bateu a saudade, veio o desespero
Sentindo o cheiro da poeira da estrada
Estrada que era vermelha de terra
Que o progresso trouxe o asfaltado e cobriu
Estrada que hoje chama rodovia
Estrada onde um dia meu sonho seguiu
Estrada que antes era boiadeira
Estrada de poeira, de sol, chuva e frio
Estrada ainda resta um pequeno pedaço
A poeira do laço que ainda não saiu
Minha vida nesta cela é olhar pela janela, e esperar
No domingo lá vem ela caminhando sempre bela, me consolar
Traz notícias da cidade onde explica essa verdade, eu lhe perdi
Foi um crime sem motivos dois ou três aperitivo, eu tô aqui
Aqueles olhos verdes, me trouxeram pra cá
Mas alguma esperança, vai me libertar
Aqueles olhos verdes, me trouxeram pra cá
Mas aquela criança, vai me libertar
Eu fiz a maior proeza
Pras bandas do rio da morte
Com outro caminhoneiro
Traquejado no transporte
Fui buscar uma vacada
Para um criador do norte
Na chegada eu presenti
Que era um dia de sorte
Depois do embarque feito
Só ficou um boi de corte
O mestiço era bravo
Que até na sombra investia
A filha do fazendeiro
Molhando os lábios dizia
Eu nunca beijei ninguém
Juro pela luz do dia
Mas quem montar nesse boi
Lhe tirar a valentia
Ganha meu primeiro beijo
Que darei com alegria
Vendo a beleza da moça
Meu sangue ferveu nas veias
Eu calcei um par de esporas
E passei a mão na peia
Peguei o mestiço a unha
Rolei com ele na areia
Enquanto ele esperneava
Fui apertando a correia
Mas quando sentei no lombo
Foi que eu vi a coisa feia
O boi saltou a porteira
No primeiro corcoviado
Numa ladeira de pedra
Desceu pulando furtado
Saía linguas de fogo
Cheirava chifre queimado
Quando os cascos do mestiço
Batiam no lajeado
Parou berrando na espora
Ajoelhando derrotado
Pra cumprir sua promessa
A moça veio ligeiro
Me disse você provou
Ser peão e boiadeiro
Dos prêmios que vou lhe dar
O beijo é o primeiro
Sua boca foi abrindo
Seu olhar ficou morteiro
Nessa hora eu acordei abraçando o travesseiro
Obrigado, 'brigado
Bom show e fica com Deus
Salve para nosso verdadeiro Zé Camillo