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Fado de Rua / Cantiga do Ladrão

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Amanhã quero ir à romaria E depois de um copo de sangria Vou dançar até raiar o dia... dentro do salão A cidade está em festa Mas não sei se vai ser desta Porque o meu amor detesta... tanta confusão Mas se ele amuar eu vou sozinha A mulher que nasceu alfacinha Não resiste ao cheiro da sardinha... a saltar no carvão Ouves aquela varina Já quase a dobrar a esquina? Quero ver se ela me ensina... um novo pregão Pelo céu já bailam os foguetes Eu vou nem que chovam canivetes Eu não sou mulher de fazer fretes... por uma paixão Se o meu amor se admira Vou contar-lhe uma mentira P'ra poder dançar o vira... e mais o malhão Ele finge mas não acredita E diz que é por eu ser tão bonita Que não quer que eu vista só de chita... num dia de Verão Porque qualquer rapariga Com amor e jeropiga Cai na lábia da cantiga... de qualquer ladrão Santo António gosta de alarido Não vos passa o que ele tem sofrido Todas querem arranjar marido... só eu é que não Porque eu tenho um namorico A cheirar a manjerico Com um fado que dedico... ao meu São João Meu amor não vou pedir licença Ir na marcha é como uma doença Para o ano talvez te convença... ou talvez não Mas se fores não vás sozinho Meu amor dá-me um beijinho Meu amor leva um arquinho... que eu levo um balão