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eu escrevo um poema sobre as linhas do meu braço.
Magnólia
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Fotos recortadas
E as amizades de infância, coloridas num papel
Pequenos momentos, seu mundo era bom
Em minha vida pequena
Muitas vezes eu pensei em desistir
Mas eu quero renascer no mês que vem
Eu quero viver e me assistir
Quero descobrir os meus novos rostos
Seus novos rostos, meus novos rostos
Seus novos rostos
Os meus rostos no verão
Os meus rostos no inverno
Os meus rostos no outono
Os meus rostos na primavera
Os meus rostos no meu aniversário
Ou no seu aniversário, sei lá
Eu nunca mostrei às pessoas como amar
Mas dessa vez eu quero fazer isso
Eu quero amar cada grão desse mundo
Amar até morrer
Quando eu era pequena, eu fiz uma viagem com os meus pais
Eu lembro de tirar uma foto com uma pequena estátua da branca de neve
Que sempre costumavam me comparar com ela
Cabelo curto, escuro, franja na testa
Lembro também da benzetacil que eu tomei e chorei muito
Mas tava tudo bem, porque toda vez que eu ia no médico
Minha mãe me comprava um cachorro quente
E ela se orgulhava muito de mim
Ela ia em todas as minhas apresentações da escola e eu adorava
Quando eu era pequena também
Meu avô costumava me levar à van que me levava até a escola
E todos os dias, todos o dias
Ele pegava uma florzinha pra mim pra eu poder dar pra professora
E era sempre assim, num abismo, assim
A florzinha ficava num, num lugar muito aberto e perigoso
Assim, se ele pegasse tinha chance de ele cair ali
Mas ele pegava pra mim, todo dia, todo dia
E eu entregava pra professora e eu gostava bastante
Ele foi tipo um pai pra mim, sinto muita falta dele
Eu deito na grama, a terra me abraça
Eu olho pro céu coberto por cinza
E nada parece existir além disso
(Além do som dos insetos e do vento)
Ele parece tão próximo de mim como se eu pudesse tocar
Então eu olho pra trás e vejo os pinheiros de novo e me sinto seguro
É como se eu me sentisse seguro em estar comigo mesmo
E a terra me abraça, e eu lembro de novo
As relações que construímos
Os sentimentos que sentimos
Os laços com a nossa criação
Nossos sonhos são esquisitos
Representações de coisas que guardamos e esquecemos
Eu procuraria você numa avenida de mortos se fosse preciso
Eu correria com você de um massacre
Eu quero, eu quero
Eu quero andar de trem e observar os jovens de bicicleta
Eu quero ver o pôr do sol no campinho onde a gente costumava fugir
Ou então cair pra sempre num limbo
E observar as nuvens com meu guarda-chuva
Então me deixe ao menos te ver
Me deixe ao menos te ver
Porque em breve seremos derrubados pela maré
Talvez isso tudo só seja sobre mim
E uma luta comigo mesmo
Você, talvez, nem pense tanto nisso
Eu gosto desses momentinhos em que eu me sinto próximo de você
Você se lembra mais deles do que eu
Porque eu me preocupo muito em como fazer isso crescer
Enfim, o show ainda não acabou mas ele tá bem diferente
Até daqui a pouco, tchau