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Marcas da Dor

Miriam dos Passos
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A cruz no chรฃo, ao seu lado um carrasco E um martelo na mรฃo Olhando os pregos e a multidรฃo Sentiu grande vazio no seu coraรงรฃo Pegaram o mestre Deitaram sobre a cruz Abriram seus braรงos, nรฃo, nรฃo viram sua luz Juntaram seus pรฉs, chamaram o carrasco e ele chegou E ao lado do mestre se agachou E o martelo subiu, subiu, subiu Sobre os pregos desceu, desceu, desceu E bateu, bateu, bateu, bateu Ergueram a cruz Lรก estava pregado, do mundo a luz Nenhum gemido sequer soltou Todos viram em seu rosto a marca da dor Seu sangue jorrando Batendo no chรฃo Viu em todos os homens Ah, homens, a ingratidรฃo Mas nรฃo se irou Pediu ao pai perdรฃo e o pai perdoou Rendeu seu espรญrito e chorou Sua cabeรงa tombou, tombou, tombou Sobre o peito caiu, caiu, caiu E morreu, morreu, morreu, morreu, morreu Tudo silรชncio, nem as aves cantavam Nenhum som se ouvia Maria olhou, tem alguma coisa errada A tumba vazia Ela nรฃo se lembrou que era o terceiro dia A tampa do tรบmulo estava caรญda Meu mestre jรก tinha voltado a vida Onde estรก o meu mestre? Gritava Maria, quem o escondeu? E uma voz conhecida: Maria, se fez ouvir Quem procuras, Maria? Eis-me aqui, eis-me aqui Ao teu lado estou, estou, estou Estou vivo, vivo, vivo, vivo, vivo, vivo, vivo Eu estou vivo, vivo, vivo, vivo, vivo, vivo, vivo Eu estou vivo, vivo, vivo, vivo, vivo, vivo, vivo! Allan kardec morreu, mas eu estou vivo Buda morreu, mas eu estou vivo Padre cรญcero morreu, mas eu estou vivo Aristรณteles morreu, mas eu estou vivo Eu estou vivo, vivo, vivo estou.