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NEGRA
Banshee
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Hoje eu me sinto um fantasma
Eu me sinto fumaça
Hoje eu me sinto a desgraça
De todas nossas vidas
Eu me livro do escasso
Eu esquivo do descaso
Eu vivo no atraso das nossas conquistas
Eu me afago no cabelo
Coloco um som
Eu estudo o meu acústico
Assopro ilusão
E todos passaram liso
Passa no crime, discípulo
Quer uma amostra da vida
A degustação
Ritmo, abismo, o ourives
Que te mostra o que é a raça mais pura
Ce peneirou nos nossos rios, patenteou nossa cultura
O verdadeiro mais arriscado esquema
Esses boy quer ter minha cara só não quer ter meus problema
Na hora do vamo ve disseram não
A poesia, o único bem que sobrou lá no fundão
Nossa cultura é só revolta pra você né irmão
Ce não morre sozinho, é você e sua falta de noção
Triste no verso
Somellier de Conversa
Quem tá mais puto é discutivel
Ou melhor quem tá mais imerso
É dividido o algoritmo que muda o universo
É poesia, tecnologia e perdão, um ritmo diverso
A fita esfria, grita, a poeira abaixa um pouco menos acima
Minha lataria tá quebrada, eu to vazando rima e ódio
Calma, o amor é joalheria, na bijuteria, um ócio
Insegurança faz barulho
Ruído negro, tóxico
Ce nunca vai entender o que é um defeito
Nunca vai saber fazer direito
Penumbra imunda a tumba que abunda o respeito
Pensa
A sepultura nas raízes dos nossos direitos
Só faz sentido na cara do falso suspeito
As músicas respondem onde as questões se interpretam
Os livros escondem e as palavras ditas libertam
Quantos estantes cê precisa pra se libertar
Eu sei onde tu comprou tua máscara se pa eu já passei la
E eu sei la
Onde se passa a ceia
Essa santa agua é seita
Do que vocês sabem eu quero distância
Tenta orar pra qualquer deidade
Não vai curar sua saudade
Não vai te tirar a ganancia
E é um milagre eu ainda saber onde é o chão
Ainda dizer o nome pro cão
Ainda preferir a morte à lição
Ainda confundir amor com paixão
Eu já vi isso antes
Eu já sou arrogante
Mas o que restou tá bom
Eles chegaram na sua casa te dizendo pra jurar
Lealdade, há cura pra sua falta de alma
Eu sei que no fundo ce procura alguém pra julgar
Expande a sua ignorância através do mar
Seca o seu suor nos ventos da preguiça
Se vira que essa vida agora é só sua, não existe mais missa
Agora ce chora aí sozinho nego
E no final sua palavra vai ser só mais um brinquedo
A peste é negra, é nossa, espantalho do sistema
Ju- liette, coringa, mandrake, qual o problema?
A rua é noiz
Nois não vai ser apagado do poema
A rua é noiz
Sorriso na cara, memo na friera
Cheguei, levei tudo da forma mais discreta
Sim, vou botar fogo no mundo, vou queimar seu esquema
A rua é noiz
Cheguei pra tocar a última trombeta
A rua é noiz
Espantalho do sistema, a peste é negra