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Se Fosse Eu

LetoDie
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O que tu faria se tivesse na minha posição? Sentisse medo dos meus medos como eu senti? Só julgaria ou enxergaria da minha visão? Se conhecesse os meus segredos como eu conheci... Reagiria como se fosse a minha reação? Tu fugiria dos problemas como eu não fugi? E se calçasse meus sapatos pra pisar no chão, seria tão melhor que eu se estivesse aqui? Senti o chão abrir sob meus pés. Lembrei que a gente só morre quando perde a fé. Encaro o dia, amanheceu, um gole de café. Um homem faz o que precisa, nunca o que quer. Às vezes penso sobre minha postura — parece que tá meio tarde pra mudar a essa altura. Eu sei que o tempo passa e tudo muda de figura, é inevitável... tem feridas que o tempo não cura. Por todas as vezes que caí, perdi. Eu sei o quanto sofri, mas enfrentei o caminho. E nesses meses que pude parar pra refletir, nunca estive sozinho. Eu sei que o Grande Arquiteto do Universo tem um plano — e mesmo que eu não entenda, é melhor que o meu. Às vezes eu me disperso no oceano, sem aproveitar o hoje e tudo que Ele me deu. É, acordar dá trabalho. Tô precisando de um tempo num confessionário. Meu lado escuro me domina às vezes, não sou páreo. Final do dia, o espelho me diz que eu sou falho. Sem me julgar demais, a vida é curta — eu vi. Somos mortos caminhantes, preocupados com morrer. Se eu pudesse te mostrar o dia que percebi que eu vivia o que sonhava e estava prestes a perder... Lembrei quando tudo era sonho, quando o hoje ainda não passava só de um sonho. Se eu pudesse voltar pra lá e me mostrar o homem que me tornei com aquilo que eu componho... Escrevi com minhas próprias mãos. O presente é o que existe — o resto é ilusão. Nada veio de um instante — foi de grão em grão. O meu rosto esconde o que sente no coração. Com o mundo na minha mão, criptografo e cifro na canção lembranças que foram enterradas num velho baú. Eu quero só olhar pra frente, não viver em vão — encontrar meu lugar no pálido ponto azul. É, se encontrar dá trabalho. Tô precisando de um tempo num confessionário. Meu lado escuro me domina às vezes, não sou páreo. Final do dia, o espelho me diz que eu sou falho. Mas o que faria se tivesse na minha posição? Sentisse medo dos meus medos como eu senti? Só julgaria ou enxergaria da minha visão? Se conhecesse os meus segredos como eu conheci... Reagiria como se fosse a minha reação? Tu fugiria dos problemas como eu não fugi? E se calçasse meus sapatos pra pisar no chão — seria tão melhor que eu, se estivesse aqui... ou não?