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O Enterro do Nego Geada
Capitão Faustino
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Me apoie em dez pra comprar uma cachaça
Lá no velório era baile entreveiro
Cachaça, riso e griteiro na capela imaculada
Assunto tinha de sobra pros mais metido
Juquinha tinha fugido e morreu o Nego Geada
Lá pelas tantas já deu outra confusão
Deram um chute no caixão e quebrou toda a madeira
Pra ir pro enterro antes que cantasse o galo
Ataram o morto a cavalo numa égua caborteira
Quando cruzaram no bolichão da esquina
O gaiteiro junto da china borracho saiu tocando
E a égua veia carregando o morto taita
Deu uma bufada na gaita e se arrastou corcoveando
E o caminho do enterro era trago e gargalhada
Um defunto gineteando por nome de Nego Geada
Fazendo a história do morto que não tombava por nada
E o caminho do enterro era trago e gargalhada
Um defunto gineteando por nome de Nego Geada
Fazendo história do morto que não tombava por nada
Viagem longa da capela ao cemitério
Vinha ao enterro o gaudério, volta e meia uma pegada
Vinha o defunto se sacundindo no espaço
Batendo cabeça e braço, mas com as perna bem atada
Um índio veio esperou dar uma trégua
Laçou do pescoço a égua e tirou o morto na coragem
Chegou o padre pra o enterro sem caixão
E o trovador na ocasião começou as homenagem
E a gauchada já encharcada da pinga, pai nosso
Enrolando a língua e atrapalhando as muié
E em terra fria despediu-se o Nego Geada
E por lembança as pataguada foi enterrado de pé
E o caminho do enterro era trago e gargalhada
Um defunto gineteando por nome de Nego Geada
Fazendo a história do morto que não tombava por nada
E o caminho do enterro era trago e gargalhada
Um defunto gineteando por nome de Nego Geada
Fazendo história do morto que não tombava por nada
Que não tombava por nada, que não tombava por nada