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Sino da Verdade

DantasSD
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A cidade dorme mas ouรงo um lamento, Um sino perdido a tocar ao vento. Lembra quem parte sem deixar saudade, E os que ficam a viver metade. Nas janelas fechadas mora a solidรฃo, E nos olhos vazios, sรณ desilusรฃo. O mundo corre mas ninguรฉm espera, A verdade morre ร  porta da esfera. Vejo becos com almas partidas, Sem nome, sem chรฃo, sem despedidas. Gente que ri mas sรณ por fora, Por dentro imploram que o mundo vรก embora. Falsos sorrisos e olhos sem luz, Tatuam feridas que a rua conduz. Cada esquina carrega uma dor, Que ninguรฉm ouve, ninguรฉm dรก valor. Sinos que dobram por quem jรก caiu, Gritos calados num tempo vazio. Promessas feitas em nome da fรฉ, Mas quem acredita... morre de pรฉ. Sonho gasto Olhar vasto Chรฃo rasto Medo arrasto Fome crua Vida nua Dor tua Voz flutua Rua fria Mente vazia Alma vazia Noite sombria Paz tardia Raiva crescia Fรฉ morria Sรณ poesia Luta minha Dรญvida vinha Forรงa caminha Dor se alinha Nem todo o pobre dorme com frio, Hรก quem tenha tudo mas vive vazio. Na alma carrego memรณrias que ardem, De um tempo em que os justos tambรฉm se perdem. Aprendi cedo a calar revoltas, Numa escola sem cadeiras nem voltas. Cada pedra no caminho foi liรงรฃo, Mas cada queda tambรฉm foi oraรงรฃo. Jรก fui silรชncio, jรก fui trovรฃo, Hoje sou eco dentro da prisรฃo. Nรฃo me calas com grades ou culpa, O que vive na alma, ninguรฉm oculta. Sinos que dobram por quem jรก caiu, Gritos calados num tempo vazio. Promessas feitas em nome da fรฉ, Mas quem acredita... morre de pรฉ. Mesmo que morra, deixo a verdade , Em cada verso, a minha metade . Se o sino parar de me anunciar, ร‰ porque a dor... jรก soube cantar.