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MENINA
MAR and Carolina Deslandes
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🇵🇹 Portuguese · Original
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Bilingual
Quem vive no convento
Sabe o que vai lá dentro
Deixa a ferida airar
E a cura ao sabor do vento
Liberta essa criança
Magoada e sem alento
Dá-lhe voz porque é daí
Que vem o teu talento
Se tu não lhe ensinares
Como queres que ela aprenda
Se não a protegeres
Como é que queres que se defenda
Ela tava tão trancada
Precisa d'uma chave de fendas
Põe-te mãos à obra
Dá-lhe amor e não te ofendas
Há palavras que vêm a mal
E conselhos que vêm por bem
Não podes escolher ouvir apenas
O que te convém
E afinal de contas
Quem se pica, agulhas tem
Então se tou a sangrar
Tenho de saber donde é que vem
Após o meu pai falecer
A nossa casa ficou fria
Ficámos nós as duas
Mas sozinha eu me sentia
A minha mãe não tinha condições
É que ela nem sabia
Como curar-se a si, quanto mais à sua cria
Passado um par de anos
Entrou um homem cá em casa
Ela encontrou alguém que preenchesse a nossa sala
Quem diria naquele momento que viria a maltratá-la
Com o passar do tempo e a
Cada garrafa virada
Ele virou tudo do avesso
O ar tão espesso que nem respirava
O primeiro problema era eu
Depois passámos a ser as duas
Apesar da casa ser nossa
Nós é que tínhamos de ir pá rua
Se tu não lhe ensinares
Como queres que ela aprenda
Se não a protegeres
Como é que queres que se defenda
Ela tava tão trancada
Precisa d'uma chave de fendas
Põe-te mãos à obra
Dá-lhe amor e não te ofendas
Se me perguntares como é que eu 'tou
Eu vou te dizer que 'tou bem
Mas se queres saber a verdade eu ainda não recuperei
Do dia em que o meu pai saiu e deixou a minha mãe
Eu vi-a chorar um rio sem saber nadar mas hoje eu sei
Sou filha de um filho da branca e da meia laranja
De um casal que era ventoso mesmo quando o vento abranda
Dos gritos e do desgosto de uma mulher que eu amo
É que depois dele sair não sabia sair da cama
A minha mãe foi mãe e pai mesmo de coração partido
E se um dia a julguei, hoje quero aprender com isso
O meu pai 'tá limpo e recebe-me com um com um sorriso
Achei que quando fosse mãe ele já nem estaria vivo
Por isso peço desculpa se a minha dor vos ofende
Mas a menina que fui ainda 'tá viva cá dentro
Tem medo do abandono e tem medo do casamento
Por isso é que ando longe e às vezes não vos atendo
Há uma voz que ecoa e que me diz pra ser prudente
Porque a mágoa que é de sangue ainda faz sangrar a gente
Prefiro virar a cara e não ver o trauma de frente
Porque a mulher perdoa, a menina não vos entende
Também julguei a minha mãe
Foi nela que me tornei
Quem tinha menos para dar, foi a quem tudo eu dei
Fiz-me tão pequena e mesmo assim não encaixei
O efeito da dor muda, desta vez fui eu que me mudei
Ansiedade comia-me por dentro, até pra ganhar peso lutei
E hoje só agradeço pelo peso do qual me livrei
Se tu não lhe ensinares
Como queres que ela aprenda
Se não a protegeres
Como é que queres que se defenda
Ela tava tão trancada
Precisa d'uma chave de fendas
Põe-te mãos à obra
Dá-lhe amor e não te ofendas
Se tu não lhe ensinares
Como queres que ela aprenda
Se não a protegeres
Como é que queres que se defenda
Ela tava tão trancada
Precisa d'uma chave de fendas
Põe-te mãos à obra
Dá-lhe amor e não te ofendas